Já ouviste jazz ?
Sabes o que é?
Nós esperamos que este sítio te possa introduzir numa das mais importantes linguagens musicais do século 20 e que continua neste novo século.
Aqui vais ter a oportunidade de descobrir a história do jazz, a improvisação e os ensinamentos necessários para que possas com o teu instrumento experimentar esta linguagem musical
A PRÉ-HISTÓRIA DO JAZZ
Quando Cristóvão Colombo, navegador genovês ao serviço da coroa espanhola, pisou ela primeira vez solo americano, em 1492, estava a dar início a uma nova era para a Humanidade. Novos territórios por explorar, novas culturas, novos habitos de vida, enfim, um Novo Mundo por descobrir. A vida dos inúmeros povos indígenas que habitavam essas paragens deixaria de ser a mesma ... Começava então um longo processo de mistura cultural, marcado pela imposição de novas regras, sociais e religiosas, e pela escravatura. Primeiro chegaram os europeus.
Pela mão destes, vieram os escravos africanos, condenados ao trabalho brutal e a mais absoluta miséria. Depois pessoas de todo o mundo ... Alguns séculos mais tarde esta mistura daria frutos a vários níveis, incluindo o musical ...
O jazz é um estilo musical com raízes africanas que nasceu nos finais do século XIX, princípios do século XX, em Nova Orleães, importante cidade portuária situada no Sul dos Estados Unidos da América (EUA). A essa cidade chegavam vendedores de algodão e de outros produtos e também marinheiros vindos de toda a parte.
Em Nova Orleães havia vários locais (bares, praças, etc.) onde se podia escutar uma música especial, tocada por negros que tinham uma vida muito difícil. A música que tocavam era uma mistura de outros estilos diferentes: as canções de trabalho, os blues (musica melancólica que falava da dureza da vida), os cânticos que se ouviam nas igrejas negras, o ragtime (estilo tocado ao piano, excelente para dançar) e a música "clássica" europeia.
A partir de certa altura, esta música já estava suficientemente desenvolvida e passou a atrair a atenção não só do público negro, mas também dos visitantes brancos que a achavam exótica e divertida.
Os músicos brancos tentaram desde logo aproveitar-se desta situação,imitando a música tocada pelos negros. Eram os chamados minstrels - actores brancos que pintavam a cara de negro para ridicularizar a vida dura dos negros.
O primeiro disco de jazz foi gravado por uma banda constituída só por músicos brancos - a Original Dixieland Jazz Band, em 1917. Embora a música fosse tocada originalmente por negros, foram os brancos que começaram a ter a fama e o proveito ...
Tambem em 1917, foi fechado o bairro de Storyville (em Nova Orleães), o que fez com que os músicos locais tivessem de subir o rio Mississipi (um dos maiores do mundo) e procurar outros sítios para viver e para tocar. O destino escolhido por muitos deles foi a cidade de Chicago. Assim começava a imparável expansão do jazz ...
Alguns músicos importantes da época:
Baby Dodds (bateria)
Bunk Johnson (cornetim/trompete)
Freddie Keppard (cornetim/trompete)
Johnny Dodds (clarinete)
Jimmy Noone (clarinete)
Jelly Roll Morton (piano)
Kid Ory (trombone)
King Oliver (cornetim/trompete)
Sidney Bechet (saxofone)
O Jazz não tem nenhuma forma típica de formação, pode de facto variar muito. Para formações mais pequenas, e sobretudo em meio académico, utilizamos a palavra Combo, que se refere a um pequeno grupo de músicos (quarteto, quinteto, etc ... ).
Há músicos que trabalham a solo, normalmente pianistas, em duo (por ex: piano e um instrumento de sopro ou voz) ou em trio (normalmente: bateria, contrabaixo e piano, ou bateria, contrabaixo e um instrumento de sopro). Depois há quartetos, quintetos, sextetos, septetos, octetos, até ao Jazz de maior formato, as Orquestras ou Big Bands com cerca de 20 músicos, onde ainda se pode juntar uma secção de cordas (violinas, violas de arco, violoncelos), ultrapassando os 30 músicos.
A base de um Combo é a chamada Secção Rítmica, composta no mínimo por bateria e contrabaixo. O mais comum é ter três músicos, incluindo assim o piano. Nalguns casos, o piano é substituído por uma guitarra. Esta é a base, e tem uma importante função, como o próprio nome indica: manter o ritmo. Mas nao só! Ela cria ainda uma forte base de harmonia para que tudo o resto faça sentido. Mas ... e que ritmo?
O ritmo mais marcante no Jazz, o ritmo que podemos dizer o Jazz inventou, chama-se Swing. O Swing resulta da tal mistura que a História do Jazz conta, e que juntou na mesma cidade gente de todo o mundo, e muito particularmente os negros de Africa. O Swing é uma evolução e mistura de vários ritmos e culturas africanas, aliada ao conhecimento mais teórico que, nomeadamente, os músicos europeus juntaram. Swing não e muito fácil de definir, mas sente-se quando está presente, e o melhor que se pode explicar, é que traduz um certo "balanço". Isso resulta de uma perfeita coordenação entre os músicos da secção rítmica.
A secção rítmica estabelece, num tema musical, e em particular naquele ritmo, se tudo funcionar bem, o tal Swing, o tal balanço. Tudo aqui é importante: o tempo constante, a precisão rítmica, a dinâmica, o entendimento entre os músicos. Este Swing é algo de contagiante e, nos estilos que vão até aos anos 40, era uma das razões que fazia o público dançar, e foi isso que o Jazz foi até aos anos 40, até ao Be-Bop, a tal revolução do Jazz Moderno. Progressivamente deixa de ser música de dança, após mais de 40 anos ... Nasceu depois o Rock-And-Roll, que usa os mesmos instrumentos de um combo Jazz ... coincidência?
Voltemos à nossa Secção Rítmica, para chegar às formações maiores! A ela, como já vimos, pode acrescentar-se voz ou qualquer instrumento que queiramos, os mais tradicionais já estão apresentados, mas qualquer um serve! Não há limites, e hoje em dia o experimentalismo junta muitos e diferentes instrumentos, que talvez nunca se imaginassem. Isso acontece porque, se um dia o Jazz foi fruto da mistura de diferentes culturas numa cidade do EUA, hoje funde-se com outras culturas, fora dos EUA. É normal haver músicos com outras culturas, fora dos EUA. É normal haver músicos com instrumentos, para nós, mais exóticos como, por exemplo, a Cítara (Índia).
O Jazz, vai assim, deixando de ser tao tradicional e popular, passando a ser mais cuidado, mas mantendo sempre o tal Swing que continuava a encher os salões de dança. As Big Bands, ou em português as Orquestras, aparecem assim no final dos anos 20, e tendo começado por um número aproximado de 12 músicos, crescem até um tamanho mais comum de cerca de 18 músicos, já nos anos 40. Numa Big Band há também uma secção Rítmica com, normalmente, 3 ou 4 músicos (bateria, piano, contrabaixo e guitarra), um naipe de trompetes (em número de quatro), um naipe de trombones (quatro), e outro naipe de saxofones (cinco).
As formações que tinham começado o Jazz, o tal chamado de Jazz Tradicional, tinham normalmente um mínimo de cinco músicos, que poderiam ser: bateria, tuba ou contrabaixo, piano, clarinete, trompete, e ainda maiores quando se juntavam banjo, um saxofone, ou um trombone. O juntar de mais músicos implicava uma maior coordenação e conhecimento musical, mas a curiosidade crescia e as formações cresceram, como vimos.
Passaram mais de 100 anos de Jazz, e tudo se mantém: continua a haver bandas de Jazz Tradicional, formaçoes de Be-Bop, Hard-Bop e Free-Jazz, e Big Bands, claro está! Toda a História do Jazz se mantém, se repete e se recria.
Uma pequena experiência! Depois de reconheceres os sons dos vários instrumentos, em especial do piano, contrabaixo e bateria, procura um disco de Jazz em quarteto, com esses três instrumentos mais um instrumento de sopro. Depois ouve com atenção uma música, concentrando-te primeiro no contrabaixo, durante todo o tema. Volta ao início e concentra o teu ouvido só no piano. Outra vez, concentrando-te na bateria, e uma última no solista de sopro. Depois espera uns momentos, e ouve o tema sem te concentrares em nenhum instrumento em particular e vê as cores ...
Não é fácil ouvir Jazz, é preciso alguma paciência e persistência ...
O Jazz é, por excelência, o género musical cuja essência é a improvisação, ou seja, criar música de forma espontânea. Este tipo de linguagem musical foi evoluindo ao longo de todo o séc. XX, e criou as suas próprias regras, ou a sua própria "gramática".
Para improvisar necessitamos de saber escalas, acordes, arpejos, forma ou estrutura das músicas, identificação de cifras, etc ...
Antes de mais, "play-along" é uma expressão inglesa muito utilizada no ensino do Jazz, e que significa "toca com". Isto quer dizer que vamos ter faixas de audio gravadas com uma secçao rítmica para que tu, com o teu instrumento, também possas tocar.
São quatro os temas que temos para ti, a começar no "Jazz Na Escola Zero", até ao "Jazz Na Escola Blues". Apenas este último tem o ritmo de Swing, o tal tão especial no Jazz, e os outros são Bossa-Nova (dois) e Funk/Rock (um), em geral, mais fáceis para o início da aprendizagem.
Cada tema tem duas versões, sendo a primeira com instrumentos a tocarem a melodia e a improvisarem pequenos solos ... na segunda versão ... é a tua vez! Atenta na primeira versão onde nós improvisamos pequenas frases ... e tenta imitar!
Não te esqueças de observar a estrutura de cada tema e o tom. Pede ajuda ao teu professor e diverte-te!