ANOS 60 - Hard-Bop e o Free Jazz
( a segunda metade dos anos 60 )
( a segunda metade dos anos 60 )
HARD-BOP
Em meados dos anos 50 do século passado, com os problemas da II Guerra Mundial em parte já resolvidos, a situação nos Estados Unidos era mais calma. A população negra, apesar de ainda segregada, começava a ter um papel cada vez mais ativo nos vários sectores da sociedade norte-americana.
Contrariamente aos músicos das décadas anteriores, que lutaram contra as dificuldades sociais e económicas, os jovens músicos negros, com uma melhor formação, tomaram consciência de que o futuro podia ser mais animador. E que a sua música, a grande música de origem afro-americana, poderia, finalmente, fazer-se ouvir com a dignidade e o respeito merecidos.
Em todo o movimento há uma espécie de busca das raízes, um retomar da cultura negra. Serão estes jovens músicos que irão revolucionar o jazz dos anos seguintes. Perante o sucesso comercial do estilo cool, desenvolvido essencialmente por músicos brancos na costa Oeste dos EUA - apesar do papel importante desempenhado por Miles Davis - o jazz feito pelos negros deu origem a duas correntes distintas: o hard-bop e o free jazz.
Olhando para este período, não é fácil dizer se este ou aquele músico tocava hard-bop ou free jazz. O hard-bop não foi muito mais do que o aprofundar do be-bop. Grande parte dos músicos deste estilo tiveram a sua educação baseada no be-bop, criado por Parker, Gillespie, Monk e outros na década anterior.
No hard-bop a melodia não é a questão central, como era no cool. Do ponto de vista rítmico dá-se um importante salto, com os bateristas a assumirem um papel que lhes tinha sido negado, mesmo no be-bop. Nesta nova etapa da história do jazz são retomados os elementos fundamentais da cultura negra afro-americana: os blues, os espirituais negros, mas agora tocados de uma forma mais complexa.
Um dos grupos que mais contribuiu para a definicao do hard-bop foi o histórico quinteto liderado pelo baterista Max Roach, já então um músico experiente, e pelo jovem trompetista Clifford Brown, que Roach considerava reunir as qualidades ideais para levar o jazz para a frente. Este quinteto, composto por dois sopros e secção rítmica, praticava um som claramente inspirado no be-bop mas mais refinado e complexo. Clifford Brown morreu muito novo, num acidente de viação, o que encurtou esta notável experiência de um modo trágico.
Outros dos grupos mais importantes do hard-bop foram os Jazz Messengers, liderados pelo baterista Art Blakey. Não deixa de ser curioso que tenham sido dois bateristas, Roach e Blakey, os principais impulsionadores do estilo hard-bop. Reza a lenda que não gostavam lá muito um do outro ...
Art Blakey sempre procurou um som mais simples e directo, mais próximo das raízes. Dos Jazz Messengers saíram muitos músicos importantes para os diversos estilos do jazz. Por lá passaram pianistas como Horace Silver e Cedar Walton. trompetistas como Lee Morgan, Kenny Dorham ou Freddie Hubbard, saxofonistas como Wayne Shorter, Hank Mobley ou Benny Golson. Os Jazz Messengers foram o expoente máximo de uma espécie de reencontro entre o jazz e o público negro.
Outros dos nomes grandes que sobressaiu neste período foi o contrabaixista Charles Mingus, uma verdadeira força da natureza. Também ele procurou nos blues a inspiração principal para espalhar a sua mensagem.
O próprio John Coltrane, o pai de todo o jazz que se seguiria, antes de partir para outras aventuras musicais mais livres, também tinha as suas raízes no hard-bop ..
Alguns músicos importantes:
Abbey Lincoln (cantora)
Art Blakey (bateria)
Benny Golson (saxofone tenor)
Bobby Timmons (piano)
Charles Mingus (contrabaixo)
Curtis Fuller (trombone)
Donald Byrd (trompete)
Elvin Jones (bateria)
Freddie Hubbard (trompete)
Hank Mobley (saxofone tenor)
Horace Silver (piano)
Jackie McLean (saxofone alto)
Jimmy Smith (órgao)
John Coltrane (saxofone tenor)
Johnny Griffin (saxofone tenor)
Julian «Cannonball» Adderley (saxofone alto)
Kenny Burrell (guitarra)
Lee Morgan (trompete)
Mal Waldron (piano)
Max Roach (bateria)
McCoy Tyner (piano)
Nina Simone (cantora)
Oscar Peterson (piano)
Paul Chambers (contrabaixo)
Phil Woods (saxofone alto)
Philly Joe Jones (bateria)
Randy Weston (piano)
Ray Charles (cantor)
Roland Kirk (saxofone tenor)
Slide Hampton (trombone)
Sonny Rollins (saxofone tenor)
Tommy Flanagan (piano)
Wayne Shorter (saxofone tenor)
Wes Montgomery (guitarra)
FREE JAZZ
A história da música, em geral, e do jazz, em particular, é feita de avanços e recuos, de pontos de viragem e de períodos de acalmia mais ou menos prolongados.
Com o hard-bop a dar sinais de esgotamento e a chegada do rock'n'roll, em meados dos anos 50 do século XX, os músicos de jazz encontravam-se perante um dilema: ou insistiam e continuavam a tocar a sua música e viam a sua sobrevivência seriamente ameaçada, ou convertiam-se em músicos de estúdio para conseguir fazer frente às dificuldades do dia-a-dia. Os dois caminhos estavam abertos.
O free-jazz (o jazz livre, traduzindo à letra) foi mais do que uma mera etapa, como tantas outras, na história das músicas de raiz afro- americana. Foi uma verdadeira revolução, cujo impacto no que viria a seguir ainda hoje e difícil de saber adequadamente.
Os principais impulsionadores do free-jazz foram os saxofonistas Ornette Coleman, Eric Dolphy, Archie Shepp e Albert Ayler, e o pianista Cecil Taylor.
Eles tinham em mente a alteração completa da estrutura harmonia/melodia/ritmo. Defendiam que o jazz deveria caminhar para a improvisação total, sem limites pré-definidos, ou seja, propunham a liberdade total para o improvisador. De certa forma, a revolução do be-bop, vinte anos antes, já havia mudado o modelo de improvisação da generalidade dos músicos de então, constituindo-se com uma fase de grande importância que acabaria por evoluir para a improvisação livre.
Também Charles Mingus, com as suas improvisações colectivas, ou Theloniuos Monk contribuíram de forma marcante para lançar as bases do free-jazz.
É preciso não esquecer que muitos músicos, mesmo negros, não gostavam do free-jazz, considerando-o mesmo como «não-jazz» ...
Todo este movimento teve também um carácter político, ao constituir-se como uma reacçao da comunidade musical (negra). O movimento free jazz foi a forma encontrada pelos afro-americanos de endurecerem a sua luta e protesto pela igualdade de direitos na sociedade.
Embora o disco fundamental do free-jazz seja precisamente chamado «Free Jazz», editado em 1960 pelo duplo quarteto de Ornette Coleman, o primeiro disco do saxofonista - «Something Else!», de 1958 – é considerado o disco fundador de toda esta corrente. A música de Ornette Coleman estava fortemente enraizada na tradição dos blues.
Em 1964 foi criada, em Chicago, a AACM - Association for the Advancement of Creative Musicians, de onde sairiam nomes grandes do free-jazz, como o Art Ensemble of Chicago ou o trombonista George Lewis.
O free-jazz chegaria à Europa em toda a sua pujança no final da década de 60, com o polémico «Machine Gun» gravado pelo célebre octeto do saxofonista alemão Peter Brötzmann.
Convém não nos esquecermos que o jazz sempre foi livre ...
Alguns músicos importantes:
Alan Silva (contrabaixo)
Alexander Von Schlippenbach (biano)
Albert Ayler (saxofone tenor)
Albert Mangesldorff (trombone)
Andrew Cyrille (bateria)
Archie Shepp (saxofone tenor)
Art Ensemble Of Chicago
Barre Philips (contrabaixo)
Beaver Harris (bateria)
Bill Dixon (trompete)
Billy Bang (violino)
Billy Higgins (bateria)
Carla Bley (pianista/chefe de orquestra)
Cecil Taylor (piano)
Charlie Haden (contrabaixo)
Charles Lloyd (saxofone tenor)
Dave Burrell (piano)
David S. Ware (saxofone tenor)
Dewey Redman (saxofone tenor)
Don Cherry (trompete)
Ed Blackwell (bateria)
Eric Dolphy (saxofones/clarinete baixo)
Gary Peacock (contrabaixo)
George Lewis (trombone)
Han Bennink (bateria)
Henry Grimes (contrabaixo)
John Coltrane (saxofones, flauta)
John Tchicai (saxofone alto)
Joseph Jarman (saxofones)
Milford Graves (bateria)
Ornette Coleman (saxofone alto)
Lester Bowie (trompete)
Paul Bley (piano)
Paul Rutherford (trombone)
Peter Brötzmann (saxofones)
Pharoah Sanders (saxofone tenor)
Roscoe Mitchell (saxofones)
Roswell Rudd (trombone)
Sam Rivers (saxofone tenor, flauta)
Scott LaFaro (contrabaixo)
Steve Lacy (saxofone soprano)
Sun Ra (piano/chefe de orquestra)
Sunny Murray (bateria)